Blog do Tio Iter

Apenas um quarentão tentando não perder o bonde da web

Archive for the ‘Twitter’ Category

A gaiola ‘orkutizada’ do Twitter canarinho

Publicado por: @RaphaelCrespo em julho 30, 2009

Desde a minha recente entrada para o Twitter, tenho acompanhado com muita atenção todos os mecanismos da ferramenta. Como, provavelmente, a maior parte dos mortais, não tenho vergonha de confessar que fiquei um pouco perdido no começo e a ajuda do meu sobrinho-quase-filho Cauã foi fundamental para a minha iniciação no mundo dos 140 caracteres.

Aos 40 anos, aprendi mais coisas em duas ou três semanas que em alguns bons anos de minha vida, como a adolescência, que se resumiu a uma quantidade saudável de sexo, outra menos saudável de álcool – no drugs –, algum estudo, bastante literatura e muito rock n’ roll. E, por favor, não me interpretem mal: foi divertido! Não estou reclamando.

Mas é engraçado chegar a essa altura da vida e ainda ter tanto a aprender. Principalmente com jovens. No caso específico do Twitter, por exemplo, fiquei surpreso com o tanto que aprendi com o Cauã. Mais ainda após tomar conhecimento, uns dias atrás, de pesquisas que apontam a rejeição da ferramenta pela molecada da idade dele.

Na verdade, credito essa rejeição adolescente ao Twitter à urgência típica dessa fase da vida, o que acaba sendo um contra-senso, uma vez que a ferramenta é uma das mais ágeis já surgidas no meio da comunicação. Na verdade, o Twitter precisa ser digerido aos poucos antes de entrar de vez na corrente sanguínea e, por isso, muitos adolescentes ainda desistem antes de entender. Mas os que entendem, certamente, usam e abusam.

Entre os assuntos relacionados ao Twitter, um que me interessa bastante é o Trending Topics.

De fora do Twitter, acompanhei o episódio do #chupa, com o Ashton Kutcher, e a patética ação das subcelebridades no #forasarney. Já de dentro, vi alguns #BrazilwantsJonasBrothers e similares, feitos, certamente, pela galera da idade do Cauã.

O povo brasileiro, certamente não em sua totalidade, tem a tendência de avacalhar coisas sérias. E a web, meus amigos, apesar de também ser lugar para brincadeiras, é coisa séria, sim.

O #chupa começou de forma espontânea e virou sacanagem; o #forasarney surgiu de forma séria e foi alvo de aproveitadores e, desde então, a maioria retardada envergonha a minoria pensante do Twitter canarinho, com tentativas fúteis de emplacar as mais estapafúrdias hashtags no Trending Topics – vide a palhaçada de hoje com o #lingerieday.

Desde que comecei a acompanhar essa obsessão brasileira pelo topo do Trending Topic, a única manifestação bacana que vi, sem dúvidas, foi a do #mussumday, espontânea e divertida homenagem a esse verdadeiro ícone da cultura popular brasileira. E, justamente por seu espírito, durou o dia inteiro e ainda está por lá, enquanto escrevo, entre os dez mais.

Cada vez mais, os adolescentes brasileiros vão aderir ao Twitter. Não tenho dúvidas disso. Por isso, grandes celebridades, subcelebridadeslares e adolescentes – já tuitteiros ou vindouros –, não criem essas ondas erradas. Percebam que o resto do mundo entende o Twitter e não fica achando que entrar no Trending Topics é a mesma coisa que um monte de hippies protestando nus contra a Guerra do Vietnã no festival de Woodstock.

Respeitem a espontaneidade do espaço. Caso contrário, o Brasil pode até dominar o Trending Topics, mas a preço de fazer o mundo perder o interesse pelo Twitter e encarcerar o canarinho dentro de uma “gaiola orkutizada”, cujas grades são nossas próprias fronteiras.

E em homenagem ao #mussumday, um dos vídeos mais clássicos desse mestre eterno do humor brasileiro:

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Ensaio sobre a webcegueira

Publicado por: @RaphaelCrespo em julho 27, 2009

Depois do Gay Talese, mais uma múmia literária vem a público criticar e falar besteiras sobre a internet e as novas mídias. O escritor português – e agora blogueiro – José Saramago deu uma entrevista ao Globo, publicada ontem, na qual afirmou, sobre o Twitter: “Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres refletem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido”.

Deixa eu repetir o final dessa declaração do Saramago sobre o Twitter: “De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido”.

Pega leve, Saramago! Não é bem assim!

Desde moleque, sou um apaixonado por livros. Leio não apenas por gosto, mas quase que por obsessão. O Saramago, por sinal, nunca esteve entre os meus preferidos. Seu estilo de escrever me incomoda. Mas respeito sua obra. Agora, não posso aceitar que o Saramago, que tem um blog, trate uma nova ferramenta de comunicação como uma involução da linguagem escrita, como tratou o Twitter.

A atitude, assim como a de Gay Talese, é de alguém que fala sem o conhecimento de causa e, definitivamente, não vai ter alcance para aceitar as mídias sociais e as novas formas de comunicação.

Tudo bem, alguém pode alegar que os caras têm 80 anos de idade, vivem no passado e não conseguem entender o presente e o futuro. Mas acho que gente como Gay Talese e José Saramago, que há décadas usam as letras como ofício, não deveriam falar, do jeito que andam falando, de coisas que não conhecem. Principalmente o Saramago, que é blogueiro. Chega a ser incoerente. O Talese, pelo menos, renega a web por completo.

Na entrevista ao Globo, Saramago disse: “Para mim, a internet é uma fonte de informação rápida e em geral eficaz, porém não confundamos: a literatura ou é ou não é, não há meios termos. Muitas transformações teriam de dar-se (e eu não vejo como nem quais) para que a internet tomasse lugar no fazer literário”.

Pois para mim, ao contrário do que pensa Saramago, a internet é um lugar para se fazer literatura, sim! Existem muitos blogs, hoje em dia, que nos proporcionam leituras mais edificantes que muitos livros. E tem muita gente que escreve coisas muito interessantes no Twitter, sim, mesmo tendo apenas 140 caracteres.

Hoje em dia, continuo um apaixonado por livros, mas sou também apaixonado por blogs, e por perfis relevantes no Twitter.

E sem menosprezar o Nobel de Literatura – até porque, seu estilo de escrever é intencional – em textos de 140 caracteres do Twitter, tem muita gente que usa vírgulas e pontos mais corretamente que o Saramago num livro inteiro.

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Era uma vez um jornalista…

Publicado por: @RaphaelCrespo em julho 23, 2009

Não pude ver o Roda Viva da segunda-feira passada, quando foi ao ar a entrevista do lendário coleguinha Gay Talese, mas andei lendo a respeito. Figurinha mais fácil no Rio de Janeiro, nos últimos dias, que o Double You – alguém lembra deles? -, o jornalista americano deu palestra na Festa Literária de Paraty; no Instituto Moreira Salles, lá na Gávea; e conversou com os entrevistadores convidados do programa da TV Cultura. Confesso que não sei se ele já foi embora, mas, pelo andar que a carruagem estava tomando, parece que já criou raízes por aqui.

Estive na concorrida palestra que ele deu no Instituto Moreira Sales, umas duas semanas atrás, e, pelo que vi por lá, creio que foi o suficiente, pois o conteúdo foi exatamente o mesmo da palestra da Flipe e da entrevista do Roda Viva. À beira dos 80 anos, Talese, um dia, foi considerado um visionário na imprensa. Mas hoje em dia, baseado na quantidade de besteiras que andou falando por aqui, nas palestras e entrevistas que concedeu, pode-se dizer que o figurão da imprensa americana parou no tempo.

Em todas as oportunidades, Talese fez questão de falar mal da atual imprensa. Repetiu as mesmas coisas sobre “jornalistas que se prendem a uma tela de laptop e não olham para o mundo lá fora”, afirmou que “a internet não melhorou a vida das pessoas, apenas acelerou” e chegou a falar que não conhece o Google!

Sinceramente, senti muita vergonha alheia quando vi essas declarações. Principalmente essa última, feita no Roda Viva. Tudo bem que Talese sempre foi daqueles jornalistas sem compromisso com o furo, com a notícia. Mas passar esse atestado de ignorante, a essa altura do campeonato, é absolutamente vexatório.

Quer continuar a falar sobre jornalismo, Gay Talese? Então se atualize! Ou, então, deixe de fingir que não sabe nada sobre a atual revolução que está acontecendo no meio da disseminação das informações.

Não tenho absolutamente nada contra o legado de Gay Talese. Muito pelo contrário. Admiro muitíssimo o profissional, que produziu matérias históricas ao longo de sua brilhante carreira de jornalista e, como escritor, publicou ótimos livros.

Na verdade, o problema dessa recente passagem de Talese pelo Brasil esteve nos moderadores e entrevistadores, que em vez de perguntarem sobre o passado, ficaram tentando fazer o velho falar sobre o futuro.

Mas, de fato, foi uma estratégia sagaz. Conhecendo o romantismo anacrônico do Gay Talese – com toda a redundância que pode carregar a expressão “romantismo anacrônico” –, é sempre bom conseguir uma manchete, em pleno ano de 2009, de um jornalista dizendo: “Desconheço o Google”.

O passado de Gay Talese é tão glorioso, que um livro da grossura da Bíblia não seria suficiente para contar. Já o futuro dele não tomaria nem os 140 caracteres de um post no Twitter.

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Humor curto e grosso

Publicado por: @RaphaelCrespo em julho 22, 2009

No pouco tempo em que estou no Twitter, tenho identificado algumas tendências bem interessantes, como a do futebol, que comentei no post passado. Uma outra que tenho gostado de acompanhar, logicamente, com uma seleção muito específica dos perfis que sigo, é a da corrente humorística que prolifera pelo universo do microblogging.

Tem de tudo um pouco. Desde os consagrados “Cassetas” Hélio de la Pena (@lapena) e Beto Silva (@betosilva) até a nova geração do CQC, comandada pelo mestre Marcelo Tas (@marcelotas), com talentos como Rafinha Bastos (@rafinhabastos), Felipe Andreoli (@andreolifelipe) Marco Luque (@marcoluque), Danilo Gentilo (@DaniloGentili), entre outros.

Bom, até o momento, estou falando de gente consagrada. Que apenas transportou para a internet o sucesso feito na TV. Mas tem uma outra galera que merece muito uma atenção especial, pois é formada por talentos que verdadeiramente entenderam a web.

Não falo do Kibe Loco (@kibeloco), que no início até tinha seu valor, era engraçado, mas sempre levou sozinho uma fama que, já há muito tempo, deveria ter sido dividida entre muitos outros humoristas virtuais. Afinal de contas, quem não conhece os termos “kibar” ou “kibagem”, referências claras ao site do Global Antonio Tabet, conhecido por pegar piadas que circulam no território livre da internet e assinar como suas.

(Quer saber mais sobre “kibagem”? Consulte esse arquivo histórico)

O humor que gostaria de destacar neste post, e que acho arrebatador, é o que vem sendo feito por perfis como @OCriador e o @Na_Kombi, este um projeto* de Ulisses Mattos (@ulissesmattos) e (@silviolach), editores da também ótima Revista M…. E não posso esquecer, também, do perfil do Mr. Manson (@MrManson), do fantástico Cocadaboa.

Fazer rir é uma arte, ainda mais em apenas 140 caracteres. E, sem dúvida, quem tem se saído melhor é essa galera com o tempo de humor da web. Sigo e recomendo todos do parágrafo acima. Fortemente!

* Clique aqui e veja todos os temas abordados pelo perfil @Na_Kombi, no Twitter. Vale a pena!

Ps.: Logicamente, o Millôr Fernandes (@millorfernandes) é hors concours, quando se fala em humor, pensamentos e frases de efeito, não apenas no Twitter, mas em qualquer lugar.

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Rivalidade em 140 caracteres

Publicado por: @RaphaelCrespo em julho 21, 2009

Durante cerca de cinco horas por semana – normalmente duas e meia no domingo à tarde e outras duas e meia na quarta-feira à noite – minha esposa costuma, via de regra, ficar meio irritada comigo. São momentos em que eu me desligo de tudo e, confesso, acabo nem ouvindo direito o que ela fala. Pois são os momentos em que o Flamengo joga.

Na verdade, eu não entendo muito o motivo da irritação. Ela me conheceu assim, em 1992, ano do pentacampeonato brasileiro do Mengão, e costumava aguentar coisa pior, já que antes eu ia com bem mais frequência ao Maracanã. E olha que uma ida ao Maracanã levava muito mais que duas horas e meia. Tinha o esquenta num boteco ou na casa de amigos, o jogo em si e a comemoração ou o engarrafamento posterior. Pode botar aí umas cinco horas dedicadas ao futebol naquela época.

Hoje em dia, absolutamente todos os jogos do Campeonato Brasileiro são transmitidos pela TV, seja aberta ou fechada. E eu tenho o pacote de pay per view em casa. É um luxo ao qual me permito, pois, já com 40 anos na carcaça, não tenho a mesma disposição de dez anos atrás para ir ao Maracanã. Procuro escolher bem os jogos que vou assistir in loco.

Meus dois filhos ainda são bem pequenos. Apesar de o mais velho, de seis anos de idade, já gostar de usar a camisa rubro-negra e gritar gol nos jogos do Flamengo, ainda não completei a lavagem cerebral. Já com meu sobrinho Cauã, confesso que fracassei na seara futebolística. como já contei por aqui, consegui doutrinar o moleque dentro da música pesada, até porque, existe uma certa ligação com seu universo emo. Mas, infelizmente, ele parece nem saber quais são as cores do uniforme da seleção brasileira.

Pensando nisso, lembrei de como era o futebol na minha infância e adolescência e fiz um paralelo com os dias de hoje.

Logo que os jogos acabavam no domingo, a molecada saía à rua, para ouvir os comentários no rádio e fazer a própria resenha esportiva. Além disso, a segunda-feira, no colégio, podia ser o céu ou o inferno. Se o Flamengo ganhasse, eu e o resto dos rubro-negros caíamos na pele da torcida arco-íris. E quando perdia, era preciso aguentar a gozação.

Hoje em dia, vejo que as redes sociais têm se tornado um espaço propício para resenhas e gozações que, antes, aconteciam nas ruas ou no colégio. Honestamente, acho que é tão saudável e válido quanto era antigamente, apesar de eu achar difícil ser mais divertido do que naquela época.

Não sei como a molecada tem feito hoje em dia, fora do Twitter, por exemplo. O Cauã não me dá esse feedback, nem no mundo offline e nem na web, pois não participa de nada ligado a futebol. Além disso, meus filhos ainda estão pequenos. Mas me lembro como eu adorava ver, principalmente depois que o Zico surgiu, o sofrimento semanal nas caras de vascaínos, botafoguenses e tricolores.

Seja cara a cara ou em 140 caracteres, a rivalidade do futebol é algo intrínseco em nossa cultura e é interessante ver tudo isso transportado para a web, exceto nos casos em que as redes são usadas por criminosos, que marcam no mundo virtual as brigas para o mundo real.

Aliás, na minha época, volta e meia aconteciam umas briguinhas, quando a gozação extraploava um pouco, mas era de leve. De repente, hoje em dia é até uma boa a molecada discutir tudo no Twitter no domingo e já chegar no colégio, na segunda-feira, de forma mais tranqüila, falando de outras coisas. Assim, até as peladas do recreio podem ficar menos nervosas e com menos chances de ferimentos e inchaços nas canelas.

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Sou mais web do que eu pensava

Publicado por: @RaphaelCrespo em julho 19, 2009

Desde que o mundo é mundo, dentro da ordem natural das coisas, os mais velhos passam experiência e sabedoria aos mais novos. Para um pai, por exemplo, poucas coisas são tão gratificantes do que ver um filho absorver conhecimento e aprender a caminhar com as próprias pernas. E essa ordem natural das coisas ainda existe, mas cada vez mais distorcida. Continuamos, sim, passando nossa experiência aos mais novos, mas a via tem se tornado de mão dupla. E com um tráfego de informações cada vez maior do lado de lá. E em alta velocidade!

Sou jornalista e, logicamente, já vinha tendo contato com as mídias sociais, principalmente com o Orkut, mas nunca me engajei no assunto, pois tinha outra idéia da web. Sempre me incomodou muito a troca de experiências virtuais, especialmente via chats e o Orkut. Continuo tendo o mais profundo desprezo pelo chamado “miguxês”, um desprezo inversamente proporcional ao apreço que tenho pelo português corretamente escrito.

Como repórter, no tempo em que estive em redações, sempre preferi fazer matérias especiais. Valorizava mais o aprofundamento de uma história ou um personagem do que um grande furo. Algo como um “Gay Talese wannabe”.

Porém, na mão contrária da troca de conhecimentos humanos, comecei a ser doutrinado pelo Cauã, meu sobrinho de 15 anos, que me apresentou o Twitter e começou a abrir um pouco os meus olhos para as mídias sociais. Pois não é que eu, como um filho que deixa um pai orgulhoso, comecei a caminhar pelas próprias pernas nesse mundo da web?

Ao comparecer a um evento chamado Sou + Web, ontem, acabei me envolvendo num mundo e começando a caminhar com as minhas próprias pernas. E o melhor disso tudo é que, ao me aprofundar sobre o assunto, vou poder trazer o Cauã para a minha mão dessa via de informações, mostrando a ele o poder dessas ferramentas que ele já usa tão bem.

Acabei de ler no blog The Godfather, do Nino Carvalho, um post sobre o evento. O cara é o organizador e fez um bom resumo do que aconteceu por lá. Portanto, acho que vale a pena colocar o link aqui. Não preciso me aprofundar tanto.

Depois de dois posts com uma introdução sobre quem eu sou, a partir deste post o blog entra em sua programação normal e passa a servir ao princípio que me levou a criá-lo: escrever, sobre qualquer assunto em voga na web, principalmente no Twitter. Pois qualquer assunto discutido no Twitter é um assunto, certamente, também em discussão no mundo offline, apesar de a recíproca não ser verdadeira, já que, hoje em dia, muita coisa aparece primeiro na web antes de se tornar notícia lá fora.

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Pacto familiar

Publicado por: @RaphaelCrespo em julho 18, 2009

Como contei no post passado, o Cauã, meu sobrinho, é como se fosse um filho para mim. O pai dele deixou minha irmã por volta do sexto mês de gestação e caiu no mundo. Tremendo filho da puta. Desde então, 15 anos se passaram e nunca mais tivemos notícias dele. Mas, felizmente, o moleque teve todo o suporte. Tanto da mãe, uma guerreira, quanto meu e dos avós. No meu caso, principalmente, o suporte foi de todos os lados, tanto financeiro quanto emocional. Toda criança precisa ter um referencial paterno.

E o Cauã é uma figura. Sempre foi uma criança à beira da hiperatividade, para alguns médicos, e a alguns fios de cabelo loiros de ser um meio termo entre o Macaulay Culkin de “Esqueceram de mim” e “Dennis, o pimentinha”. Pessoalmente, sempre achei uma criança feliz.

Só que ele cresceu. Não teve jeito. Virou adolescente. E adolescente é igual em qualquer lugar do mundo, com exceção ao núcleo indiano da novela das oito da Globo, onde as meninas recém-saídas da infância se guardam para homens que foram escolhidos para elas no dia em que nasceram, ou algo do tipo. Sei lá, não vejo aquela merda, mesmo.

Enfim, o moleque, como todo adolescente, tem sua tribo. Pessoalmente, gostaria que ele fosse como eu na adolescência, um “metaleiro”, como a TV Globo rotulou os fãs de Heavy Metal na época do Rock in Rio I. Mas o Cauã é emo. Ou pelo menos age como tal entre os amigos. Ele tem uns piercings na cara, usa umas sombras esquisitas debaixo do olho, parece que não pega num pente há uns cinco anos e gosta de umas bandinhas bem caídas da atualidade. Não chego a recriminar, até porque, além de pegar muita menininha esquisita como ele, meu sobrinho tem um outro lado bom: é rato de livro. Impressionante como gosta de ler.

Na verdade, como comentei, ele apenas age como emo. Um dia, aqui em casa, no ano passado, peguei o Cauã no flagra passando o meu “Fresh Fruit for Rotting Vegetables” para o iPod. Ele é esperto. Deve ter ouvido falar da palavra hardcore, inicialmente, seguida do termo “meloso”, e certamente achou o Dead Kennedys, no Google, como uma referência do hardcore puro. Aproveitei para apresentá-lo ao lado punk/hardcore de minha vasta coleção de LPs e CDs. Foi de Stooges, Ramones, Sex Pistols e Clash a mais Dead Kennedys, Blag Flag, Exploited e GBH, passando, também, por um pouco do NYHC, que eu adoro, com umas músicas do Agnostic Front.

O moleque ficou alucinado! Desde então, temos um pacto. Eu sou a única pessoa que sabe do bom gosto musical dele, que hoje já se estende ao Heavy Metal, mas deixo ele fazer seu “teatrinho emo” para as menininhas da tribo. Até porque, o moleque faz sucesso, é popular entre seus estranhos semelhantes.

E como temos esse pacto, Cauã e eu não nos seguimos, mutuamente, no Twitter, apesar de ele ter me apresentado a ferramenta. Acho justo. Ele me pediu isso. Não que ele tenha vergonha de mim ou algo do tipo. Mas porque el tem medo de que eu dê um passo em falso e o “entregue” para os amigos.

Para falar a verdade, acho ótimo, pois sempre que dou uma fuçada no Twitter do Cauã, e no que seus amigos escrevem, penso que há um limite de “miguxês” que um ser humano pode suportar.

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Eu

Publicado por: @RaphaelCrespo em julho 17, 2009

Nasci no dia 30 de dezembro de 1968, poucos dias após o AI-5. Meu nome, Iter, é uma homenagem a meu tio xará, irmão de minha querida mãe, “sumido” pelos militares dias antes do meu nascimento. Apesar da história trágica, fui uma criança feliz e cheia de bons valores. E cresci e venho tocando minha vida da mesma forma.

Comecei a ouvir Led Zeppelin antes da adolescência, o que fez o rock n’ roll entrar no sangue; frequentei boas escolas; sempre tive o privilégio de conviver com as belezas do Rio de Janeiro; vi o Zico dar muitos títulos para o Mengão; fui para as ruas na campanha das Diretas Já; assisti a Queen, Iron Maiden e Ozzy no Rock in Rio I; tive minha poupança confiscada pela Zélia “Collor de Mello” Cardoso.

Enfim, sou um brasileiro normal, com passado de brasileiro, mas tentando olhar para o futuro. Me formei em jornalsmo e trabalho na área. O apreço pelas letras faz a necessidade de escrever ser quase um vício. Por isso, criei este blog.

Sou casado e tenho dois filhos pequenos. Um de quatro e outro de seis anos de idade. Esses são os oficiais. Mas há 15 anos, minha irmã mais velha teve um moleque que me deu para batizar, o Cauã. Como ela foi mãe solteira, ajudei a criá-lo. E ele é mais do que um sobrinho/afilhado. É como se fosse um filho para mim.

Cauã e eu ainda temos uma ligação muito grande. Sei que sou uma referência, principalmente por ele nunca ter convivido com um pai.

Como qualquer adolescente, Cauã passa horas de seu dia na internet e me apresentou o Twitter. Achei engraçado e uma coincidência foneticamente interessante o surgimento dessa ferramenta, pois ele sempre me chamou de Tio Iter.

Não tenho tempo para acompanhar o Twitter o dia inteiro, como faz o Cauã. Então, volta e meia ele me atualiza sobre o que está rolando por lá, me chamando em papos rápidos pelo MSN ou Gtalk ao longo do dia, que se tornam mais longos na parte da noite.

Apesar de o moleque ser meio emo – e alvo de algumas gozações minhas por causa disso – procuro doutriná-lo, para que ele se torne um adulto antenado e bem informado, com senso crítico e relevância para as pessoas que convivem com ele, seja no mundo offline ou na web.

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