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Pacto familiar

Publicado por: @RaphaelCrespo em julho 18, 2009

Como contei no post passado, o Cauã, meu sobrinho, é como se fosse um filho para mim. O pai dele deixou minha irmã por volta do sexto mês de gestação e caiu no mundo. Tremendo filho da puta. Desde então, 15 anos se passaram e nunca mais tivemos notícias dele. Mas, felizmente, o moleque teve todo o suporte. Tanto da mãe, uma guerreira, quanto meu e dos avós. No meu caso, principalmente, o suporte foi de todos os lados, tanto financeiro quanto emocional. Toda criança precisa ter um referencial paterno.

E o Cauã é uma figura. Sempre foi uma criança à beira da hiperatividade, para alguns médicos, e a alguns fios de cabelo loiros de ser um meio termo entre o Macaulay Culkin de “Esqueceram de mim” e “Dennis, o pimentinha”. Pessoalmente, sempre achei uma criança feliz.

Só que ele cresceu. Não teve jeito. Virou adolescente. E adolescente é igual em qualquer lugar do mundo, com exceção ao núcleo indiano da novela das oito da Globo, onde as meninas recém-saídas da infância se guardam para homens que foram escolhidos para elas no dia em que nasceram, ou algo do tipo. Sei lá, não vejo aquela merda, mesmo.

Enfim, o moleque, como todo adolescente, tem sua tribo. Pessoalmente, gostaria que ele fosse como eu na adolescência, um “metaleiro”, como a TV Globo rotulou os fãs de Heavy Metal na época do Rock in Rio I. Mas o Cauã é emo. Ou pelo menos age como tal entre os amigos. Ele tem uns piercings na cara, usa umas sombras esquisitas debaixo do olho, parece que não pega num pente há uns cinco anos e gosta de umas bandinhas bem caídas da atualidade. Não chego a recriminar, até porque, além de pegar muita menininha esquisita como ele, meu sobrinho tem um outro lado bom: é rato de livro. Impressionante como gosta de ler.

Na verdade, como comentei, ele apenas age como emo. Um dia, aqui em casa, no ano passado, peguei o Cauã no flagra passando o meu “Fresh Fruit for Rotting Vegetables” para o iPod. Ele é esperto. Deve ter ouvido falar da palavra hardcore, inicialmente, seguida do termo “meloso”, e certamente achou o Dead Kennedys, no Google, como uma referência do hardcore puro. Aproveitei para apresentá-lo ao lado punk/hardcore de minha vasta coleção de LPs e CDs. Foi de Stooges, Ramones, Sex Pistols e Clash a mais Dead Kennedys, Blag Flag, Exploited e GBH, passando, também, por um pouco do NYHC, que eu adoro, com umas músicas do Agnostic Front.

O moleque ficou alucinado! Desde então, temos um pacto. Eu sou a única pessoa que sabe do bom gosto musical dele, que hoje já se estende ao Heavy Metal, mas deixo ele fazer seu “teatrinho emo” para as menininhas da tribo. Até porque, o moleque faz sucesso, é popular entre seus estranhos semelhantes.

E como temos esse pacto, Cauã e eu não nos seguimos, mutuamente, no Twitter, apesar de ele ter me apresentado a ferramenta. Acho justo. Ele me pediu isso. Não que ele tenha vergonha de mim ou algo do tipo. Mas porque el tem medo de que eu dê um passo em falso e o “entregue” para os amigos.

Para falar a verdade, acho ótimo, pois sempre que dou uma fuçada no Twitter do Cauã, e no que seus amigos escrevem, penso que há um limite de “miguxês” que um ser humano pode suportar.

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