Depois do Gay Talese, mais uma múmia literária vem a público criticar e falar besteiras sobre a internet e as novas mídias. O escritor português – e agora blogueiro – José Saramago deu uma entrevista ao Globo, publicada ontem, na qual afirmou, sobre o Twitter: “Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres refletem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido”.
Deixa eu repetir o final dessa declaração do Saramago sobre o Twitter: “De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido”.
Pega leve, Saramago! Não é bem assim!
Desde moleque, sou um apaixonado por livros. Leio não apenas por gosto, mas quase que por obsessão. O Saramago, por sinal, nunca esteve entre os meus preferidos. Seu estilo de escrever me incomoda. Mas respeito sua obra. Agora, não posso aceitar que o Saramago, que tem um blog, trate uma nova ferramenta de comunicação como uma involução da linguagem escrita, como tratou o Twitter.
A atitude, assim como a de Gay Talese, é de alguém que fala sem o conhecimento de causa e, definitivamente, não vai ter alcance para aceitar as mídias sociais e as novas formas de comunicação.
Tudo bem, alguém pode alegar que os caras têm 80 anos de idade, vivem no passado e não conseguem entender o presente e o futuro. Mas acho que gente como Gay Talese e José Saramago, que há décadas usam as letras como ofício, não deveriam falar, do jeito que andam falando, de coisas que não conhecem. Principalmente o Saramago, que é blogueiro. Chega a ser incoerente. O Talese, pelo menos, renega a web por completo.
Na entrevista ao Globo, Saramago disse: “Para mim, a internet é uma fonte de informação rápida e em geral eficaz, porém não confundamos: a literatura ou é ou não é, não há meios termos. Muitas transformações teriam de dar-se (e eu não vejo como nem quais) para que a internet tomasse lugar no fazer literário”.
Pois para mim, ao contrário do que pensa Saramago, a internet é um lugar para se fazer literatura, sim! Existem muitos blogs, hoje em dia, que nos proporcionam leituras mais edificantes que muitos livros. E tem muita gente que escreve coisas muito interessantes no Twitter, sim, mesmo tendo apenas 140 caracteres.
Hoje em dia, continuo um apaixonado por livros, mas sou também apaixonado por blogs, e por perfis relevantes no Twitter.
E sem menosprezar o Nobel de Literatura – até porque, seu estilo de escrever é intencional – em textos de 140 caracteres do Twitter, tem muita gente que usa vírgulas e pontos mais corretamente que o Saramago num livro inteiro.